terça-feira, 7 de junho de 2016

ESCOLA DE MISSÕES/2016 - PALESTRA 02

O DEUS VIVO É UM DEUS MISSIONÁRIO

Esboço da segunda palestra 

Texto básico: Gn 3.15
Introdução:
1.       O Deus vivo é um Deus missionário. O caráter de Deus exprime isto. Missões existem para a própria glória do Senhor da missão. Missões nunca foi invenção humana. Nenhum ser do mundo seria capaz de criar um projeto tão perfeito e tão singelo como este. Missões é algo criado por Deus.
2.       Douglas Webster diz: “Nós começamos, então, onde a missão começa: com Deus”.


I. O caráter missionário de Deus:
1.       O Antigo e o Novo Testamento mostram que Deus é um Deus que envia. Ele enviou profetas, apóstolos e anjos, e finalmente Ele enviou seu Filho unigênito (Hb 1.1-4). A própria existência das Escrituras dá testemunho do fato que Deus estende a mão em amor a seu mundo caído. Sendo assim, a obra missionária é, inicialmente, um trabalho do Deus Trino: “... batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Deus é um Deus de coração missionário.
2.       A missão é um dos atributos pessoais de Deus. Isto significa que do início ao fim a missão cristã é a Missão de Deus, e não do homem. Assim, há a necessidade desesperada de que se busque uma teologia de missão que não seja antropocêntrica ou eclesiocêntrica (ou agenciocêntrica), mas teocêntrica. Missão é uma obra essencialmente de Deus.
3.       A Trindade missionária:
a)       Deus Pai - o autor da missão.
b)       Deus Filho – a mensagem na missão.
c)       Deus Espírito – o poder para a missão.
d)       Deus Pai enviou Deus Filho Jesus (Jo 3.16).
e)       Deus Pai e Deus Filho enviaram o Espírito Santo (At 1.8).
f)        A Trindade envia a igreja a fazer missões (Mt 28.18-20).


II. Deus é o autor de missões:
1.       Deus se autoenviou – Gn 3.15:
a)       Deus aqui é o próprio missionário.
b)       Deus anuncia as boas novas aos pecadores.
c)       Esta é a primeira promessa de um enviado - protoevangelho.
2.       Para Francis M. Dubose, diz que a figura bíblica do verdadeiro Deus é comparada à de um grande e contínuo “Enviador”. Assim, missão é a objetivação do propósito eterno e benevolente de Deus que se origina em seu ser e caráter.

III. Citações:
1.       David Livingstone: “Deus tinha um único Filho e fez dele um missionário.”
2.       William J. Larkin Jr. diz: “A narrativa de Lucas apresenta cada pessoa da Divindade como ‘enviador’, comissionando e promovendo a missão. Cada pessoa da Trindade é também um ‘enviado’, um agente missionário bem como um participante trabalhando por meio dos agentes humanos”.
3.       Reginald Hoover: “Há muitas referências ao plano universal de Deus no Antigo Testamento, mas as poucas que temos considerado demonstram além de qualquer dúvida que o Deus do Antigo Testamento é um Deus Missionário”.
4.       Dave Harvey: “Deus pega um homem comum, lapida seu caráter, dá-lhe graça, treina-o por meio de provações, enche-o de zelo e encurrala-o em suas circunstâncias. Depois, você tem um obreiro.”
5.       Martinho Lutero: “Para se fazer um obreiro são necessários três coisas: oração, estudo da Palavra e tribulações."

IV. Deus criou o missionário:
1.       As Escrituras Sagradas são claras e objetivas quando mostram que Deus está interessado na humanidade caída e vai ao seu encontro. O ser humano pós-queda não deu um passo sequer em direção a Deus. Deus é quem vem ou providencia seus enviados como mediadores, procuradores. Deste modo, o conceito de Missio Dei deve ser entendido como a origem, a motivação e o modelo de missão que está centrado em Deus e em sua natureza.
2.       Deus Missionário muitos missionários com tarefas específicas:
a)       Deus enviou José para salvar Israel da fome: “Diante deles enviou um homem, José...” (Sl 105.17).
b)       Deus enviou Ananias a Saulo: “Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista, e fiques cheio do Espírito Santo” (At 9.17).
c)       Deus é quem manda trabalhadores para a Sua seara (Lc 10.2; Mt 9.37,38).
d)       Deus enviou o seu próprio Filho para resgatar os pecadores arrependidos (Jo 3.16).
3.       O plano-mestre de Deus para a missão (Betty Bacon):
a)       Deus o elaborou “antes da fundação do mundo”: “... do cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8);
b)       Deus o centralizou em Jesus Cristo: “isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados, e nos confiou a palavra da reconciliação” (2Co 5.19);
c)       Deus leva ao máximo da história mundial: “será pregado este evangelho a todas as nações. Então virá o fim” (Mt 24.14).
d)       Deus toma as iniciativas: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.16,17).

V. Deus é o sustentador da obra missionária:
1.       A companhia do Mestre (Mt 28.20).
2.       A conclusão da obra (Mt 24.14).

Implicações Para Hoje:
1.       Se Deus Pai é missionário, se Deus Filho é missionário e se Deus Espírito é missionário, não temos escolha, ou somos missionários ou somos impostores.
2.       Henry Martin: “O Espírito de Cristo é o espírito de missões, e quanto mais nos aproximarmos de Cristo, mais intensamente missionários devemos nos tornar.”
3.       Quando olhamos para o Deus Pai só podemos vê-Lo como a única fonte da missão. De Deus procede e resulta a missão. É Deus quem, de fato, envia.

Sugestão de Leituras:
1.       O Caminho Missionário de Deus: uma teologia bíblica de missões. Timóteo Carriker (Editora Palavra).
2.       A Missão de Deus: desvendando a grande narrativa da Bíblia. Christopher J. H. Wright (Editora Vida Nova).

Sugestão de Filmes:
1.       Terra Selvagem.

2.       Um Clamor na China.

ESCOLA DE MISSÕES/2016 - PALESTRA 01

MISSÕES NO CENTRO DA BÍBLIA


Esboço da primeira palestra 

Texto básico: Gl 3.8
Introdução:
1.       O conteúdo geral da Bíblia é missionário. Missões nunca foi invenção ou produto humano, pois vemos que este princípio partiu de Deus e está no centro da Bíblia.
2.       Se Deus é um Deus Missionário e se a Bíblia é inspirada por Deus, logo, significa que a Bíblia é um Livro Missionário.
3.       A Bíblia é a nossa autoridade em missão. Ela revela a mensagem do Evangelho, os motivos corretos para missão e os objetivos e métodos que agradam a Deus. Todo trabalho missionário deve ser fundamentado e dirigido pelas Escrituras Sagradas. 

I. Missões no centro do Antigo Testamento:
1.       O Antigo Testamento confirma o propósito claro de Deus de alcançar todos os povos. A promessa do Salvador em Gn 3.15 foi dada aos pais de toda a raça humana. A aliança com Noé inclui seus três filhos, não exclusivamente Sem. Abraão foi escolhido para ser o pai duma nação com propósito universal. É esclarecido mais ainda na aliança com Moisés que Israel era um povo escolhido de Deus para servir entre as nações (Is 40-44), e para ser sacerdote de Deus no mundo (Ex 10.4-6). Finalmente, os resultados da aliança com Davi e Salomão mostram sua amplidão mundial. A ideia principal nos Salmos é que Deus merece o louvor de toda a criação, e na dedicação do Templo, Deus declarou o Seu desejo de que todos O conhecessem (1Rs 8.43,60).
2.       Os profetas igualmente difundem o grande desejo de Deus de alcançar o mundo todo. Sofonias 1.2,3 fala que todas as nações vão ser julgadas, por isso precisam do Salvador. Habacuque 2.14 esclarece nitidamente o propósito missionário de Deus: "Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar".
3.       Jonas, Amós, Isaías e Miqueias são modelos de como Deus ansiava mostrar-Se para as nações que Lhe pertencem. Ele elegeu Israel para ser o caminho do Seu conhecimento. O Antigo Testamento está repleto do conceito missionário de Deus em querer anunciar Seu amor e Sua mensagem de Salvação a todos os povos.


II. Missões no centro do Novo Testamento:
1.       Os quatro Evangelhos como “literatura missionária” - Roger Greenway:
a)       O Evangelho segundo Mateus foi escrito para os judeus, para ensiná-los sobre Jesus e fazer deles a base para a missão da Igreja junto aos gentios;
b)       O Evangelho segundo Marcos foi um “tratado” missionário para os gentios que precisavam de um breve relato sobre a vida e os ensinamentos de Jesus;
c)       O Evangelho segundo Lucas, um gentio convertido à fé em Jesus, escreveu para os gentios como ele, os quais careciam saber que Jesus os queria em seu Reino tanto quanto os judeus;
d)       O Evangelho segundo João foi escrito com o seguinte propósito missionário: “Para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).
2.       A igreja foi chamada para exultar o Senhor da glória. Existimos para adorar a Deus com todo o nosso ser, alma, força e entendimento. Devemos obedecer ao mandamento de Cristo: Ir e fazer discípulos, para Ele, de todas as nações, povos e línguas, ensinando-os a guardar tudo o que Ele ensinou e batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19-20).


III. Citações:
1.       John Stott: “Por meio da Bíblia o próprio Deus está evangelizando, isto é, comunicando as boas novas ao mundo. Você deve estar lembrado da declaração de Paulo acerca de Gênesis 12.3, segundo a qual ‘a Escritura [...] preanunciou o evangelho a Abraão’ (Gl 3.8)”... “Toda a Escritura prega o evangelho. Deus evangeliza por meio dela”.
2.       Edison Queiroz: “A Bíblia, desde Gênesis até o Apocalipse, é um livro missionário, a partir do ponto de vista bíblico, o propósito de Deus é simplesmente reconciliar o homem consigo mesmo. O problema é que muitas vezes estudamos a Bíblia, não para buscar o propósito de Deus e sim para buscar respostas ou bases para nossas ideias. Precisamos avaliar nossa hermenêutica a partir do ponto de vista dos propósitos de Deus”.
3.       Johannes Verkuyl: “Do começo ao fim, o Novo Testamento é um livro missionário. Ele deve sua própria existência ao trabalho missionário das igrejas cristãs primitivas, tanto a judia como a helenística. Os Evangelhos são ‘recordações vivas’ da pregação missionária, e as Epístolas, mais do que uma forma de apologética missionária, são instrumentos atuais e autênticos do trabalho missionário”.
4.       Russell Shedd: “A ordem de fazer missões é muito clara no Novo Testamento, porém Jesus buscou no Antigo Testamento a base para essa declaração. Se lermos a Bíblia toda sem observar sua ênfase sobre missões, provavelmente a estamos lendo superficialmente, como eu lia o Antigo Testamento, sem notar a centralidade do plano de Deus para as nações. Agora penso de modo diferente. Foi uma mudança de paradigma para mim!”

Implicações para hoje:
1.       A existência de toda a Bíblia é a primeira evidência de que Deus tem uma missão, um propósito salvífico para este mundo. Há um teor missionário na Bíblia. Há um clamor missionário na Bíblia.
2.       O maior exemplo de missão está no próprio Deus, que se fez carne e habitou entre nós para salvar os perdidos (Jo 1.14; Fp 2.5-11). Missão está no centro da Bíblia e deve estar no centro das nossas vidas. Pois, não há lugar mais seguro do que o lugar em que Deus nos colocou.
3.       Onde estão os que têm se levantado para obedecer ao mandamento do Mestre, movidos e agitados por uma ardente e abrasadora paixão pelas vidas sedentas? Onde estão os que têm se levantado, dispostos a se desgastarem para levar o Evangelho até o último povo perdido sobre a Terra? Onde estão os cristãos de corações inflamados pelo poder de Deus que desejam se envolver com missão? Onde estão os cristãos decididos a morrer pela causa de Cristo? Onde estão os que existem para glorificar ao Senhor do Universo?

Sugestão de leituras:
1.       Teologia Bíblica de Missões. George W. Peters (CPAD).
2.       A visão missionária da Bíblia. Timóteo Carriker (Editora Ultimato).

Sugestão de Filmes:
1.       Hudson Taylor - Missionário na China.
                      2. William Carey – Uma Chama na Escuridão.

terça-feira, 24 de maio de 2016

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Resultados missionários na vida da igreja enviadora

    Não é muito fácil definir-se “igreja enviadora”… Poderiamos nos referir a um amplo leque de possibilidades que vai desde uma igreja local com seu programa de ajuda financeira a alguns missionários e/ou pretensão de tornar-se ela mesma uma agência de envio missionário até uma denominação com sua junta ou agência missionária estruturada, passando inclusive por organizações missionárias não-denominacionais ou, quem sabe, até mesmo pelos vários sistemas de auto-envio missionário supostamente independentes.
    Talvez possamos incrementar esse leque agregando-lhe alguns modelos metodológicos missionários que, periodicamente, entram e saem de moda, gerando uma espécie de “missiologia evangélica popular”que, em certa medida, determinam as formas e procedimentos, bem como uniformizam as expectativasquanto aos resultados do trabalho dos missionários por parte de quem envia.
    Mas, por outro lado, de certa forma não é tão difícil definir-se “igreja enviadora” no sentido de que, como igreja, denominação, organização ou pessoa, no geral, nos consideramos ou não “enviadores”. Partamos, então, desse simples princípio de considerarmo-nos ou não enviadores. No geral, definimo-nos como “enviadores” porque reunimos, total ou parcialmente, um conjunto básico de características, tais como: temos um Conselho Missionário, ajudamos parcialmente com o sustento de algum missionário, fazemos algum trabalho de plantação de igreja em nossa cidade, participamos de algum movimento nacional ou regional de evangelização, alguns dos nossos membros participam de iniciativas missionárias de curto prazo dentro ou fora do país, temos um projeto de assistência a congregações fracas de regiões pobres do nosso país, etc.
    Somos uma igreja enviadora? Se a resposta for positiva, devemos perguntar-nos então, o que esperamos de nós como igreja missionária e enviadora?
    A esta pergunta possivelmente não encontremos respostas fáceis, visto que em geral esperamos mais dos missionários que enviamos (ou ajudamos a enviar) do que de nós mesmos como enviadores. Sem dúvida, estamos conscientes de que sempre há aspectos que devem ser melhorados na nossa performance como enviadores, mas devemos reconhecer que nossa maior e mais volumosa expectativa de resultados sempre recai sobre os obreiros que estão nos campos, por isso a exigência de cursos preparatórios, entrevistas, envio de projetos, perfis psicológicos, relatórios trimestrais, cartas mensais de oração, visitas periódicas aos parceiros, apresentação dos trabalhos em PPT, vídeos e redes sociais, etc.
    Mas voltemos à pergunta que nos interessa: se nos consideramos uma igreja enviadora, que resultados missionários devemos esperar de nós mesmos? Diante dessa pergunta gostaria de sugerir alguns elementos que nos ajudem a avaliar-nos e a crescer como igreja enviadora e missionária que somos, baseando-nos no próprio conceito da palavra “igreja” que indica uma assembleia ou uma comunidadeonde todos compartilhamos a mesma experiência de ser alcançados pela graça de Cristo, a mesma fé e esperança em sua obra e o mesmo chamado para servi-lo integralmente entre todos os seres humanos.
    asiático missões
    “A igreja é missionária a medida em que compreende biblicamente sua própria vocação e a assume em todas as dimensões de sua vida e atividades”
    1. Aguçado conceito vocacional: um dos resultados que devemos ver e esperar na vida da igreja enviadora é o seu aguçado sentido vocacional. A igreja é missionária a medida em que compreende biblicamente sua própria vocação e a assume em todas as dimensões de sua vida e atividades. Sua consciência de que Cristo a “tirou do mundo e a enviou novamente ao mundo para servi-lo” (Jo 17.14-15) lhe dá o necessário equilíbrio para tomar suas decisões, fechar seus orçamentos, organizar suas atividades e promover a mensagem do evangelho.
    Nesse sentido, vocação não é uma experiência restrita a pastores e missionários; é, antes, uma experiência compartilhada por todos os que creem em Cristo e que os direciona ministerialmente como povo de Deus no mundo.Esse conceito vocacional lhe concede uma imprescindível dimensão missionária, qualificando de forma muito especial todas as atividades consideradas missionárias e abrindo sua visão para o necessário avanço vocacional do seu próprio sentido como igreja missionária.
    Precisamos crescer em nosso conceito e experiência vocacional como crentes e como igrejas. Esse desenvolvimento vocacional da igreja, portanto, que lhe orienta em suas decisões e programações, deve ser encarado como um necessário crescimento na vida eclesial e deve ser esperado como um dos principais resultados missionários na vida de uma igreja enviadora: somos enviadores e missionários a medida em que crescemos e aguçamos nosso sentido vocacional como povo de Deus no mundo.
    2. Permanente dedicação hermenêutica: outro resultado que esperamos na vida da igreja enviadora éa sua maturidade como interprete das Escrituras Sagradas. Não me refiro simplesmente a que tenhamos um bom grupo de teólogos profissionais ou pastores bem preparados (isso também tem o seu lugar); antes, a que cada cristão em interação com sua igreja seja um comprometido leitor e intérprete da palavra de Deus, de forma que todos juntos, como igreja missionária, encontremos permanentemente no ensino bíblico os caminhos missionários de Deus no mundo, para que nos enquadremos de forma fiel e diária à sua vontade redentora.
    hermeneutica missões
    “Uma igreja se define como enviadora e missionária quando vê em sua experiência e na vida dos seus membros a permanente dedicação à leitura, interpretação e aplicação da palavra de Deus tanto em suas vidas e sociedades, como na de outros que necessitam receber a mensagem de Cristo”
    Ler, estudar, meditar e refletir sobre as palavras e os ensinos da Bíblia pode estar tornando-se uma experiência bem pouco frequente e motivadora para muitos ou algo reservado para os eruditos. Entretanto, continuamos sendo o “povo do livro”! Um povo que lê e que interpreta a Bíbliacuidadosamente porque sabe que nela estão as palavras de vida eterna e são elas que testemunham a respeito de Jesus Cristo (Jo 5.39). Nos caracterizamos por sermos leitores estudiosos e interpretes da Bíblia e, consequentemente, esse fato nos define também como os seguidores dos princípios ensinados pela Bíblia.
    Nesse sentido, ler e interpretar a Bíblia é uma atividade permanentemente transformadora das nossas vidas, famílias e entorno. Define, também, os novos rumos que deveremos seguir a partir de agora como testemunhas vivas do evangelho de Cristo. Ler e interpretar a Bíblia, pessoal e eclesialmente, nos torna um povo missionário, comprometido fielmente com a proclamação do evangelho entre todos os seres humanos.
    Uma igreja se define como enviadora e missionária quando vê em sua experiência e na vida dos seus membros a permanente dedicação à leitura, interpretação e aplicação da palavra de Deus tanto em suas vidas e sociedades, como na de outros que necessitam receber a mensagem de Cristo.
    3 . Intenso compromisso evangelizador: o seu constante empenho evangelístico e evangelizador é, também, um dos resultados missionários que encontramos na vida de uma igreja enviadora. Devemos entender “evangelístico” e “evangelizador” como uma referência ao discipulado bíblico: nosso envio por Cristo ao mundo é fundamentalmente para “fazer discípulos de Jesus Cristo” (Mt 28.19), ainda que, frequentemente substituímos esse discipulado evangelizador por elementos secundários do trabalho missionário (tais como fazer a igreja crescer, plantar novas igrejas, revitalizar outras, etc), o que pode nos distrair do objetivo principal de discipular.
    Sendo assim, uma igreja enviadora e missionária não é a que “faz missões” apenas enviando pequenas ofertas mensais à missionários que estão em outras terras; ela é, em si mesma, por meio das suas atividades e da vida de seus membros e famílias, uma igreja que se dedica apaixonadamente à evangelização e ao discípulado de homens e mulheres do seu entorno social.
    Quando olhamos para nós mesmos, como igreja enviadora, devemos ver-nos em um permanente processo de evangelização e um renovado compromisso com a formação do caráter e da vida cristã. Esse, sem dúvida, é mais um dos necessários e permanentes resultados missionários na vida das nossas igrejas enviadoras.
    4. Consagrado serviço diaconal: servir ao próximo em suas necessidades, membro ou não-membro, crente ou pagão, é mais um resultado missionário que se espera na vida de uma igreja enviadora. O reconhecimento de que todos os seres humanos foram criados à imagem de Deus e, por isso, são dignos e merecedores do nosso respeito e ajuda, como forma de expressão do amor de Deus, é uma parte fundamental da visão que temos de todos os seres humanos e de nós mesmos como igreja, qualificando o nosso envolvimento missionário no mundo por meio de nossas atitudes e atividades diaconais.
    A palavra de Deus se espalhava e o número de discípulos crescia em Jerusalém como consequência do diaconato sábio exercido pelos sete, especialmente porque essa ação diaconal estava essencialmente vinculada com a pregação da palavra pelos doze (At 6.1-7), indicando a importância de que ambos ministérios sejam exercidos como dimensões da mesma missão da igreja. A obra missionária está sempre vinculada com as diversas atividades e dimensões do serviço diaconal, não apenas quando essa obra se realiza em países, regiões ou comunidades pobres. Também em regiões onde a população não carece dos serviços básicos e tem suas necessidades plenamente cobertas, a dimensão diaconal da ação missionária é profundamente necessária, atendendo a necessidades sociais e humanas que vão muito além da fome e a enfermidade.
    Uma igreja verdadeiramente enviadora é aquela que investe em trabalhos diaconais nos diversos campos missionários (seja em regiões pobres, seja em regiões ricas) e que se caracteriza, ao mesmo tempo, por seus programas de misericórdia atendendo tanto a seus membros quanto a famílias do seu entorno. Um dos resultados missionários na vida da igreja enviadora é, portanto, seu consagrado serviço diaconal.
    5. Consciência da natureza missionária: gostaria, por fim, de sugerir que nossa auto-consciência missionária como povo de Cristo no mundo deriva-se de nossa própria natureza missionária: como povo de Cristo no mundo somos, inevitavelmente, um povo missionário que mantemos atitudes missionarias em nossas decisões e caminhada, bem como em nossos programas e atividades.
    Essa consciência de que somos, por natureza, um povo missionário nos define todo o tempo e em todas as nossas dimensões eclesiais, pessoais, profissionais e familiares. Saber que somos um povo missionário é reconhecer que o nosso Senhor fora enviado pelo Pai ao mundo com uma missão redentora e que, à luz do seu envio pelo Pai, ele mesmo nos envia ao mundo, como discípulos e igreja, para viver e anunciar por palavras e obras seu evangelho da redenção (Jo 17.18).
    “Servir ao próximo em suas necessidades, membro ou não-membro, crente ou pagão, é mais um resultado missionário que se espera na vida de uma igreja enviadora”
    Se somos uma igreja enviadora não é porque certo grupo de irmãos mantem um determinado compromisso com a intercessão e o sustento financeiro de alguns missionários; antes, é porque reconhecemos biblicamente essa nossa natureza essencial e inegavelmente missionária e, por vernos dessa forma, assumimos os necessários compromissos e riscos com a missão de Cristo no mundo. Dessa forma, a manifestação em nós mesmos da consciência que temos da nossa natureza missionária torna-se um dos resultados missionários mais esperados na vida de uma igreja enviadora.
    Concluímos, portanto, repetindo as perguntas feitas no início: somos uma igreja enviadora? Que devemos esperar de nós como igreja enviadora e missionária? Poderíamos sofrer a tentação de responde-las pedindo que a igreja nos envie cópia do seu orçamento, estatísticas e outros números, o que certamente nos daria umpequeno vislumbre das respostas, mas se nos cercamos apenas de números e conceitos mercadológicos, possivelmente jamais nos aproximaremos das respostas verdadeiras.
    Por outro lado, esperamos que estes cinco resultados missionários de uma igreja enviadora, mencionados acima, nos ajudem em nossabusca por um equilíbrio em nossa visão e ação missionária no mundo!

    Fonte: http://moravios.net/site/vidadaigrejaenviadora/